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Mönch: Qual a missão da Força Aérea, e como a FAB realiza esta missão?

Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato: A missão da Força Aérea Brasileira é manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da Pátria. Para isso são utilizadas aeronaves capazes de cumprir missões em todo o território nacional, incluindo as águas jurisdicionais, e ainda sobre áreas de Oceano Atlântico sob responsabilidade brasileira para missões de busca e salvamento. Ao todo, são mais de 22 milhões de km² de área da Força Aérea Brasileira, sem contar as missões internacionais. Neste espaço, destaca-se a Floresta Amazônia, uma região de dimensões comparáveis à Europa Ocidental e que demanda um grande esforço de aeronaves de transporte e de asas rotativas para um sem número de missões de apoio, que envolve desde o suporte logístico para pelotões do Exército na fronteira até o transporte de indígenas e urnas eleitorais para comunidades isoladas. Além das aeronaves, a Força Aérea Brasileira conta com responsabilidade de atuar com sistemas espaciais e é ainda a instituição que realiza o controle de tráfego aéreo, que no Brasil ocorre de maneira integrada à defesa aérea, em um sistema dual implantado na década de 70 e com grande sucesso até o momento.

Mönch: Como a Força Aérea se encaixa nas missões internacionais de manutenção da paz?

Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato: Hoje, militares da Força Aérea Brasileira participam de cinco missões de paz da ONU como "peacekeepers". O maior esforço, contudo, ocorre no Haiti, onde a FAB atua diretamente com suporte logístico aéreo e também com o envio de militares da área de infantaria. A partir de 2011, mais de 270 militares participaram da Missão de Paz, divididos em nove pelotões. O décimo já está em treinamento, com mais 26 militares. A maior presença da FAB no Haiti ocorreu em 2010, logo após o terremoto, não apenas por meio do suporte logístico, mas também com um Hospital de Campanha montado para atender às vítimas da tragédia. Nos dias seguintes ao terremoto, mais de mil toneladas de carga foram levadas ao Haiti, 2.718 passageiros foram transportados e 16.011 atendimentos foram realizados no hospital de campanha da FAB. Atualmente, a ligação constante com o país caribenho continua. Logo após a passagem do furacão Mattew, o Boeing 767 fez sua primeira missão humanitária, levando barracas para o Haiti.

Mönch: Quais desafios adicionais são identificados pela FAB?

Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato: Além de defender a soberania, controlar o espaço aéreo e integrar o País, a Força Aérea Brasileira também tem o papel de fomentar o desenvolvimento técnico e científico do país por meio da busca constante de inovações científicas e tecnológicas, tornando cada projeto de reequipamento uma oportunidade para fortalecer a indústria nacional e ampliar a independência no setor de defesa. Tal vocação institucional está hoje respaldada na Política Nacional de Defesa e na Estratégia Nacional de Defesa, contudo, já faz parte da vocação institucional há décadas, tendo como maiores exemplos a criação do Instituto de Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o desenvolvimento do C-95 Bandeirante, a criação da Embraer e a parceria para o projeto AMX. Hoje, a FAB se destaca ainda pela capacidade de elaborar requisitos e estimular a indústria para o desenvolvimento de soluções tecnológicas de ponta, como foi o caso do A-29 Super Tucano e agora do KC-390. Também se destaca o projeto Gripen NG, em que a participação da indústria nacional, com transferência de tecnologia, sempre fez parte de sua concepção. O maior desafio para os próximos anos está na fronteira espacial. O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) é só um primeiro passo de um amplo compromisso brasileiro de expandir seu uso do espaço, algo previsto na Estratégia Nacional de Defesa como uma diretriz estratégica de atuação do Comando da Aeronáutica. Em 2012 houve a criação da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), que atuou na concepção do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE). Desde a concepção já se trata de um Programa conjunto, realizado sob supervisão do Estado-Maior da Aeronáutica e em estreita coordenação com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Estado-Maior da Armada e Estado-Maior do Exército. O PESE abrange projetos de implantação de sistemas espaciais, desde uma constelação de satélites para atender a diversas demandas da nação brasileira, até a infraestrutura de controle e de operação. Todo o programa é pensado de forma dual, envolvendo necessidades das Forças Armadas e também de órgãos públicos civis, tal como ocorre com o SGDC. É um programa, enfim, coordenado pelo Comando da Aeronáutica, mas não exclusivo do Comando da Aeronáutica, sendo um programa do Estado brasileiro. Por fim, a participação da Base Industrial de Defesa brasileira é condição preponderante para a execução do PESE e deve ocorrer em todos os seus níveis de desenvolvimento e de operação.

Mönch: A aquisição dos caças Gripen se apresenta como uma peça chave na defesa do País, Como este programa tem colaborado para construir novas capacitações para o Brasil?

Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato: O Gripen NG irá ampliar exponencialmente a capacidade de defesa do Brasil e, ao mesmo tempo, trará grandes avanços em termos de ciência e tecnologia. O acordo com a Suécia inclui 60 projetos de offset (compensações de natureza industrial, tecnológica ou comercial) avaliados em US$ 9 bilhões. Um deles é o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN, do inglês Gripen Development Network), localizado na sede da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O GDDN deve abrigar em torno de 300 engenheiros e técnicos. Ao mesmo tempo, há também brasileiros indo para a Suécia. Até 2024 serão 350 profissionais brasileiros com participação ativa no projeto, na Suécia. Todos devem voltar e atuar no GDDN.

 

Aeronaves Gripen NG em construção (parceria entre Brasil e Suécia). (Foto: FAB)

 

Mönch: Quais as suas prioridades para os próximos anos?

Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato: A Força Aérea Brasileira trabalha hoje com foco na sua concepção estratégica "Força Aérea 100", que prevê profundas mudanças organizacionais até o ano de 2041, quando será comemorado o seu centenário. O objetivo maior é concentrar os recursos e os esforços para o cumprimento de suas missões operacionais, com menor foco em atividades-meio e maior centralidade das atividades-fim. Para isso já está em curso uma ampla reestruturação de unidades, algo também alinhado com a chegada de vetores mais modernos e também da evolução doutrinária da Força, o que envolve não apenas o uso de aeronaves mais modernas, mas também uma formação e capacitação atualizadas dos militares, a integração da Força àqueles produtos derivados do PESE e aos constantes desafios impostos pelas necessidades da sociedade brasileira.

 

 

Aeronave de transporte KC 390 atualmente em fase de certificação. (Foto: FAB)

Tenente Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, Comandante da Força Aérea Brasileira. (Foto: FAB)

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